A próxima fronteira da economia compartilhada é o conhecimento

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Apesar da necessidade de melhorias estruturais, o compartilhamento de conhecimento tem a vantagem de não se restringir à geografia ou ao tempo

Texto de Sérgio Agudo

A mais célebre frase do filósofo grego Heráclito diz que “nada é permanente, exceto a mudança”. De fato, a mudança sempre foi uma constante na história da humanidade. A principal diferença entre o agora e o passado, é a velocidade com que ocorrem essas mudanças. Por exemplo, a transformação estrutural em nossa economia está ocorrendo em meses, ao invés de décadas. A tecnologia está motivando diretamente as mudanças em diversos âmbitos. Essa tecnologia é diferente, multifacetada e vem promovendo profundas transformações em escala global.

A economia compartilhada está, já há algum tempo, por toda parte, motivada por inúmeras pessoas que estão online graças aos dispositivos móveis e o crescente acesso à banda larga, especialmente no Brasil. O primeiro ciclo da economia compartilhada envolvia empresas como a Airbnb e a Craigslist, que ajudaram as pessoas a compartilhar bens e ativos. No momento seguinte, a economia do compartilhamento passou a acontecer no campo das habilidades gerais, como dirigir, montar móveis ou fazer compras de supermercado. No momento atual, estamos entrando em um novo ciclo desta economia: o do compartilhamento de conhecimento.

A evolução da economia compartilhada está diretamente ligada à inovação em tecnologia
A exemplo de movimentos econômicos anteriores, a economia compartilhada se iniciou com mão de obra e ativos materiais. Muitos de nós tínhamos tempo ou bens para compartilhar, como casas e carros. Já no campo dos serviços compartilhados aparecem a montagem de móveis, a execução de tarefas manuais, o fornecimento de transporte e outras atividades facilmente realizadas pela mão de obra local, utilizando tempo e algum talento. Empresas envolvidas na economia compartilhada passaram a ser uma opção para quem estava sem trabalho ou em busca de melhoria nos salários e/ou no ambiente de trabalho.

O movimento econômico da vez exige mais inovação em tecnologia. Para começar, como é possível criar o fornecimento de conhecimento? Diferente dos que compartilham um carro ou uma casa, aqueles com conhecimento a ser compartilhado precisavam de novas maneiras de transmitir seu conteúdo para o mundo. Plataformas online para esse serviços precisam de melhor largura de banda para facilitar a criação e o compartilhamento de áudio e vídeo com qualidade. Maneiras mais fáceis e acessíveis de se produzir material vídeo também são necessárias.

Apesar da necessidade de melhorias estruturais, o compartilhamento de conhecimento tem a vantagem de não se restringir à geografia ou ao tempo. Por exemplo, um instrutor de uma plataforma global de ensino pode ter muitos alunos no mundo todo, matriculados ao mesmo tempo em um único curso. Já para fazer compras de supermercado ou compartilhar uma corrida de táxi é preciso ter contato com alguém próximo e disponível em determinado momento.

Compartilhando conhecimento no Brasil
Um movimento econômico totalmente baseado no compartilhamento de conhecimento abre uma infinidade de oportunidades para pessoas do mundo todo. Em tempos de recessão e em um mercado cada vez mais competitivo, iniciar uma carreira como instrutor, ensinando o que se sabe fazer de melhor, mesmo sem ter experiência como professor, tem se mostrado uma opção viável e lucrativa.

Com diversas empresas de aprendizado online à disposição, qualquer pessoa com um dispositivo móvel ou uma conexão com a Internet pode tomar a iniciativa de compartilhar conhecimento.

(*) Sergio Agudo é diretor de mercado para o Brasil da Udemy

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