CONHEÇA A ECONOMIA DO BEM DO COMUM! ONDE O BEM ESTAR SOCIAL ESTÁ ACIMA DO BENEFÍCIO FINANCEIRO.

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Alguém tem dúvida que o capitalismo como conhecemos hoje é um sistema falido?

Existe atualmente uma ignorância velada de imaginar que quem critica o capitalismo é comunista, como se houvesse apenas essas duas polarizações num mundo cheio de possibilidades e idéias avançadas em prol de um novo modelo econômico mais justo, solidário, humano e democrático.

Um sistema onde 1% da população mundial detém 90% da riqueza do planeta já mostra seus sinais graves de fragilidade e debilidade.

Seria como imaginar um casa com 5 pessoas, onde 1 pessoa comesse 90% da comida e as outras 4 ficassem apenas com 10%, evidentemente que haveria um desequilíbrio neste modelo, onde 4 ficariam subnutridas e 1 pessoa bem alimentada. Claramente ocorreria conflitos internos nessa família, conflitos semelhantes ao que temos atualmente em nossas sociedades.

Qualquer exemplo que fizermos uma associação de 90/10 haverá discrepância e desequilíbrio que a médio/longo prazo gerará conflitos, guerras, insatisfações, revoluções, etc.

Segundo um pesquisa da Fundação Bertelsmann, 80% dos Alemães e 90% dos austríacos desejam uma nova ordem econômica mundial.

Pensando em todo esse modelo, o economista Christian Felber criou um modelo chamado Economia do Bem Comum.

Quem é Christian Felber?

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Christian Felber nasceu em 1972 em Salzburgo, é professor universitário de economia especialista em economia alternativa e sustentabilidade, escritor e divulgador. Christian desenvolveu um novo modelo internacional econômico denominado A Economia do Bem Comum que desenvolve e promove, onde o bem estar social está acima do benefício financeiro.

A Economia do Bem Comum

Nos últimos anos mais de 1000 empresas se somaram a este modelo revolucionário. Um sistema econômico baseado em valores humanos como dignidade, solidariedade, sustentabilidade, justiça social e democracia, onde as empresas não se esforçam por competir entre elas, senão que cooperam para conseguir o maior bem comum para a sociedade.

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Os 20 Pontos Fundamentais

1. A economia do bem comum baseia-se nos mesmos valores que fazem florescer as nossas relações: confiança, cooperação, apreço, democracia e solidariedade. Segundo recentes investigações científicas conseguir bons relacionamentos é a maior fonte de motivação e felicidade dos seres humanos.

2. Os objetivos econômicos e legais devem a sofrer uma mudança radical, mudando as regras do jogo, da sede por lucro e concorrência, para cooperação e contribuição ao bem comum: Empresas que praticam a cooperação serão recompensadas. Ao contrário, o comportamento competitivo trará desvantagens.

3. O êxito econômico não é medido por indicadores monetários como o benefício financeiro ou o PIB, mas sim através do BBC – Balanço do Bem Comum (a nível das empresas) e do PBC – Produto do Bem comum (a nível dos sistemas). O balanço do bem comum converte-se no balanço principal de todas as empresas. Quanto maissocial, ecológica, democrática e solidária é a atividade, melhores serão os resultados do balanço do bem comum alcançados. Melhorando os resultados do balanço do bem comum das empresas na economia nacional, melhorará o produto do bem comum na nação.

4. As empresas com bons balanços do bem comum usufruirão de vantagens legais: taxas de impostos reduzidas, impostos alfandegários vantajosos, créditos mais baratos, privilégios na compra pública e no acesso a programas de incentivos à pesquisa, etc. A entrada no mercado será por isso, mais favorecida para atores éticos e os seus produtos e serviços, que aos não éticos, indecentes e não ecológicos.

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5. O balanço financeiro será um balanço secundário. O benefício financeiro passa de fim a meio. Serve só para aumentar o ‘novo’ fim empresarial: apoiar o bem comum. Os excedentes/lucros financeiros deverão utilizar-se para: Investimentos com mais-valia social e ecológica, devolução de créditos, depósitos em reservas limitadas, bonificação a colaboradores, assim como em créditos sem juros a empresas cooperantes. Não se utilizarão os excedentes para bonificar pessoas que não trabalhem na empresa, aquisição hostil de outras empresas, investimento em mercados financeiros (deixarão de existir), ou financiamentos a partidos políticos. Em contrapartida, os impostos sobre os benefícios empresariais (lucros) serão eliminados.

6. Como o benefício financeiro/lucro é agora um meio e deixa de ser um fim, as empresas podem esforçar-se paraalcançar o seu tamanho ótimo. Deixa de existir o perigo de serem adquiridas, ou de sentirem-se obrigadas a crescer para serem maiores, mais fortes ou com maiores lucros/benefícios. Todas as empresas passam a ser livres da coerção de crescer e de engolir.

7. Existindo a possibilidade de aspirar sem medo ao tamanho ótimo, haverá muitas empresas pequenas em todos os ramos. Como não há necessidade de crescer, será mais fácil cooperar e praticar a solidariedade. Podem ajudar-se mutuamente pela troca de conhecimentos, tecnologia, encargos, pessoal ou créditos/empréstimos sem juros. Serão recompensadas com resultados no balanço do bem comum ainda mais positivos. As empresas irão formando uma rede de aprendizagem solidaria, a economia transforma-se num sistema ganhar-ganhar.

8. As diferenças entre vencimentos e patrimônios serão limitadas: Vencimentos máximos de, por exemplo, 20 vezes o salário mínimo. Propriedades que não excedam, por exemplo, os 10 milhões de euros. O direito de cessão e herança limitado, por exemplo, a 500.000 euros por pessoa e em empresas familiares a, por exemplo, 10 milhões de euros por filho. Os excedentes sobre estes limites serão repartidos através de um “fundo de gerações” como “dote democrático” às gerações seguintes: igualdade de capital inicial significa maior igualdade de oportunidades.

Nota: As margens exatas deverão ser definidas democraticamente em assembleia econômica.

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9. Em grandes empresas, a partir de um elevado número de empregados (por exemplo, mais de 250), os direitos de decisão e propriedade passam parcial e progressivamente aos empregados e cidadãos. A população poderá ser representada diretamente através de “parlamentos econômicos regionais”. O governo não possuirá direitos decisórios ou de intervenção em empresas públicas.

10. Isto é igualmente válido para os bens democráticos, a terceira categoria de propriedade, junto a uma maioria de pequenos e médios empresários e grandes empresas de propriedade mista. Por bens democráticos entendemos instituições econômicas públicas em campos de ensino, saúde, ação social, mobilidade, energia, ou comunicação: a infraestrutura básica.

11. Um bem democrático importante é o banco democrático. Este servirá, como todas as empresas, o bem comum e como todas elas, será controlado pelo povo soberano e não pelo governo. Os seus serviços consistirão em depósitos de poupança garantidos, contas correntes gratuitas, créditos com juros reduzidos e créditos de risco com mais-valia social e ecológica. O Estado financiar-se-á primordialmente através de créditos sem juros no Banco Central. O Banco Central obtém o direito exclusivo da criação de dinheiro e efetuará as transações de capitais internacionais para impedir evasão fiscal. Os mercados financeiros, na sua forma atual, deixam de existir.

12. Seguindo a proposta de John Maynard Keynes,1944, estabelece-se uma cooperação monetária global com base numa unidade de cálculo (por exemplo, “globo”, “terra”) para o comércio internacional. Ao nível local, moedas regionais podem complementar a moeda nacional. Para proteção da concorrência injusta, a UE criará uma zona de comércio justo (Zona do Bem Comum) com padrões harmonizados ou com impostos aduaneiros correlacionados com o resultado do BBC da empresa produtora. A longo prazo, a meta será a criação da Zona do Bem Comum na ONU.

13. Á natureza concede-se um valor próprio, pelo qual não se poderá transformar em propriedade privada. A quem necessite de terra para viver, para a agricultura ou comércio, ceder-se-á uma superfície limitada de forma gratuita ou pagando uma taxa de utilização. O uso da terra será condicionado a critérios ecológicos e ao uso concreto. Será o fim da especulação imobiliária, o “landgrabbing” (apropriação de grandes superfícies por multinacionais ou outros países) e do latifúndio. Em contrapartida, anulam-se os impostos sobre a terra.

14. O crescimento econômico deixa de ser um fim para passar a um meio. Um novo objetivo será o da redução da pegada ecológica de pessoas privadas, empresas e nações, até um nível globalmente sustentável e justo. O imperativo categórico de Kant será extenso à dimensão ecológica. A nossa liberdade de eleger um estilo de vida determinado, encontra o seu fim quando limita a liberdade de outros em eleger o mesmo estilo de vida, ou pelo menos levar uma vida digna. Pessoas privadas e empresas serão incentivadas a medir a sua pegada ecológica e a reduzi-la a um nível globalmente sustentável e justo.

15. O horário de trabalho retribuído/remunerado será reduzido gradualmente até à marca, desejada pela maioria, de 30 a 33 horas semanais. Deste modo haverá tempo livre para outros três campos de trabalho de grande importância: trabalho de relacionamentos e cuidados (crianças, doentes, velhos, etc), trabalho de crescimento pessoal (desenvolvimento da personalidade, arte, ócio, etc), trabalho em política e em atividades públicas. Como consequência desta repartição mais equilibrada entre distintas atividades, o estilo de vida far-se-á mais suficiente, menos consumista e mais sustentável.

16. Cada décimo ano na profissão, será um “ano sabático”, financiado através de um salário mínimo incondicional. As pessoas podem fazer nesse tempo o que entenderem. Esta medida traduz-se numa redução de 10% na taxa de desemprego na União Europeia.

17. A democracia representativa será complementada pela democracia direta e pela democracia participativa. Os cidadãos soberanos deveram poder controlar e corrigir a sua representação, decretar leis por si mesmos, modificar a constituição e poder controlar as infraestruturas de abastecimento (ferro carril, energia, água, correios, bancos). Numa democracia real, são idênticos os interesses dos representantes e os dos cidadãos. Requisitos para isso, são os direitos constitucionais de co-legislar e de controlar.

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18. Todos os pontos fundamentais devem ser amadurecidos através de discussões num amplo processo de base e de bases, antes de se converterem em leis elaboradas por uma assembleia econômica diretamente eleita; o resultado deverá ser votado democraticamente pelos cidadãos soberanos. O que seja aceite, será introduzido na constituição e só poderá voltar a mudar com o acordo dos cidadãos soberanos. Além da assembleia econômica do bem comum, pode haver outras assembleias/convenções, para aprofundar a democracia: assembleia para a educação, assembleia para os meios de comunicação ou uma assembleia para o desenvolvimento da democracia, etc.

19. Para educar as crianças nos valores da economia do bem comum e para os poder praticar, o sistema de educação deveria estar orientado igualmente para o bem comum. Isto requer outra forma de ensino e outros conteúdos, como por exemplo: ética, comunicação, educação democrática, contato com a natureza ou sensibilização corporal.

20. Uma vez que na EBC, o êxito empresarial tem um significado muito diferente do atual, serão necessárias diferentes competências de gestão. As empresas não procurarão os gestores mais duros na execução da “eficiência quantitativa”, mas os mais responsáveis e socialmente competentes, os mais empáticos e sensíveis que considerem a co-determinação como uma oportunidade e um benefício para todos.

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A Economia do Bem Comum não é, nem o melhor dos modelos econômicos, nem o final da história, apenas o passo seguinte para um futuro mais sustentável, justo e democrático.

Trata-se de um processo participativo, de desenvolvimento aberto, que procura sinergias em processos similares como: a economia solidária, economia social, movimento de bens comuns, economia do pós-crescimento, ou democracia econômica.

Juntando esforços, uma grande quantidade de pessoas e atores, seremos capazes de criar algo verdadeiramente novo.

A implementação da visão requer uma motivação intrínseca, autorresponsabilidade, incentivos econômicos, uma ordem político-legal coerente e consciente. Todas as pessoas, empresas e comunidades estão convidadas a participar na reconstrução da economia com o propósito do bem comum. (Fonte)

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